É um enriquecimento no discipulado para que as verdades da Palavra sejam vivenciadas no interior. Não é um tratamento espiritual nem mesmo psicológico. Trata feridas localizadas na intersecção entre alma e espírito. É um movimento de Deus, que age através de pessoas com a finalidade de tratar feridas localizadas na intersecção da alma e do espírito. (2 Co 7.1).
Como o ser humano é biológico, psicológico e espiritual, precisamos ver antes do tratamento se não há problemas espirituais ou de saúde. Só pode ser realizada em pessoas salvas.
A obra da cruz é perfeita e definitiva. Nela Jesus foi vencedor, derrotando a Satanás (1 Jo 3.8b; Cl 2.15).
Precisamos então tomar posse da verdade de Deus no nosso consciente e inconsciente. Se nosso inconsciente ainda tem lembranças dolorosas de nossa vida, elas exercerão influência sobre nossa fé. A cada dia precisamos amadurecer no conhecimento e na revelação da pessoa de Jesus para vencer o diabo.
Logo, a cura interior é o processo de transformação do crente que o leva à separação do mundo e a tornar-se cada dia semelhante a Cristo. O problema do cristão não é o seu espírito, pois o seu espírito faz um com o Espírito do Senhor (1 Co 6.17). Ele está na alma.
Paulo passou por esse tratamento. Durante anos foi tratado por Deus para realmente ser cheio do Espírito Santo. Entre a sua conversão e a sua viagem até Antioquia passaram-se cerca de 18 anos, 14 deles no deserto.
Se personalidade é herança mais vivência, somos então um resultado de uma soma que sofreu influências negativas e que tem no resultado coisas negativas também. Somos o que somos por nossa reação ao que vivemos até aqui com os outros e com Deus.
A cura interior não é uma experiência ou emoção forte de momento. É um tratamento que exige tempo. Deus cura o físico e liberta muitas vezes na hora, mas se ele fizesse isso com a alma perderíamos parte de nossa identidade. Isso mostra o grande amor e poder de Deus. Ele não nos criou como um robô. Um novo convertido pode receber muitos dons. Pode até ser cheio do Espírito Santo. Mas não podemos dizer que é maduro, pois o crescimento espiritual necessita de vivência.
A cura da alma sem a ação do Espírito Santo não tem nenhum valor.
Precisamos levar em consideração a nossa dignidade essencial (a imagem de Deus) e o horror da nossa depravação (o pecado). As pessoas são semelhantes a Deus, mas algo aconteceu que distorceu terrivelmente essa semelhança: o pecado. A imagem de Deus não foi perdida, mas desfigurada.
A imagem de Deus significa:
- Anseios profundos: Somos seres pessoais que anseiam profundamente (Os 11.8; Sl 42.1; 63.1).
- Pensamento avaliador: Somos seres racionais, que pensam (Gn 6.5). Tanto Deus como o homem pensam. Eles chegam a conclusões que determinam suas intenções.
- Escolha ativa: Somos seres volitivos, que escolhem (Ef 1.9-11; Fp 2.12, 13).
- Experiência emocional: Somos seres emocionais, que sentem (Jo 11.33-36; Jo 2.14-17; Hb 13.21; Ne 1.4; Jó 30.27; 2 Co 4.8)
São quatro capacidades: ansiar profundamente por algo pessoal, avaliar de forma racional o que está acontecendo, buscar intencionalmente uma direção escolhida e experimentar o mundo emocionalmente. Com uma diferença: Deus é um ser independente capaz de ansiar, pensar, escolher e sentir. O ser humano é um ser dependente com as mesmas capacidades.
A doença interior se configura quando você não consegue ter profundidade de relacionamentos na sua vida e encontra um vazio interior que dói constantemente e se reflete em várias áreas da vida. Ela se mostra também quando a pessoa não consegue avaliar racionalmente a realidade e o seu interior. Outro sintoma é quando não consegue desenvolver uma vontade saudável, encontra sempre a mercê de vontades alheias ou vícios que lhe impõem um modo de vida contrário. Outro sintoma nocivo é viver sempre utilizando máscaras para disfarçar o que sente, não vivendo uma autenticidade e uma verdadeira intensidade dos sentimentos. Configura-se aí a imagem de Deus deformada pelo pecado. É preciso deixar que o Espírito Santo de Deus sonde e que a Palavra de Deus encontre o fio da meada dentro de você para que se inicie o processo de cura.
O processo de cura se inicia quando você percebe que em Cristo você pode ter uma vida profunda e relacionamentos profundos, não importando como o outro vá reagir, porque o seu círculo pessoal está cheio. Na área racional, quando você consegue estabelecer uma relação de causa e efeito com as coisas sem tanta interferência das emoções, até mesmo no estudo da Palavra. É restabelecer o livre-arbitirio, porque não importando os fatores, estamos onde estamos porque escolhemos estar, e podemos a qualquer momento nos arrepender e voltarmo-nos para Deus restaurando nossas escolhas corretas. E também lembrarmos que não somos super-homens e que podemos chorar, podemos amar, podemos pedir ajuda, podemos sofrer, e este é o real sentido do versículo de que podemos todas as coisas em Cristo. (Fp 4.13). A pobreza não vai nos tirar o senso de valor, os revezes da vida não vão nos destruir, porque poderemos passar por qualquer situação curados por dentro.
Esta é só uma introdução. Vamos buscar uma comunidade onde a cura interior é valorizada, pregada e vivida. Vamos nos informar com princípios que nos levam a essa cura para que tenhamos uma vida feliz.