Conheça a palavra de Deus no original

Toda a Bíblia foi escrita a mão tendo como suporte papiros ou pergaminhos. Não temos nos dias de hoje os manuscritos onde os autores escreveram de próprio punho, mas temos cópias fidedignas que sobreviveram até os dias de hoje. Podemos garantir a máxima fidelidade pelo extenso número de cópias, maior do que qualquer documento da História Antiga. Se negarmos a autenticidade da Bíblia como documento histórico, simplesmente não teremos mais História Antiga!

É muito interessante apurar o texto original, mas não é tarefa fácil. A princípio se utilizou como apoio para determiná-lo as mais antigas traduções como a grega, do século III a.C. e a latina de Jerônimo, já na nossa era. Como apoio também se agregou a Peshita e os targuns aramaicos.

Os manuscritos mais antigos e precisos foram encontrados na vizinhança do Mar Morto em meados do século passado, com 200 transcrições de livros da Bíblia, datadas entre 150 a.C. e 70 d.C..  Apesar de haver um manuscrito completo do profeta Isaías, a grande maioria destes manuscritos é fragmentária.

O volume completo mais antigo da Bíblia Hebraica é o Códice de Leningrado, do ano 1008 da nossa era. Ele e o Códice incompleto de Aleppo de 930 são os exemplos principais dos textos que denominamos massoréticos (tradicionais), que servem como base para que se complementem os achados mais recentes, traçando um texto final.

Texto final? Não é propriamente final, mas a melhor apuração arqueológica possível com os documentos que mencionamos até aqui. Por isso em 1906, Kittel  lançou a Bíblia Hebraica, que mostrava anotações laterais e rodapés modestos com um menor número de documentos históricos e apuração de variantes textuais.  A Terceira Edição de Kittel teve grande sucesso, mas os achados do Mar Morto a deixaram obsoleta.

Em 1977 foi lançada a Bíblia Hebraica Stuttgartensia que consistia das anotações laterais dos códices e referências a um volume distinto com as explicações delas e explicação das palavras que só aparecem uma vez no texto, que são as mais difíceis de identificar o sentido. Esta Bíblia original é a base de todas as traduções sérias atuais da Bíblia. De forma a tornar o trabalho do estudante minucioso da Bíblia mais prático e objetivo, está sendo elaborada a Bíblia Hebraica Quinta, onde tais explicações já estão incorporadas em um único volume com a atualização das mais recentes descobertas arqueológicas e textuais, sendo assim uma atualização muito vantajosa e esperada, do qual já foram lançados porções importantes.

Até agora falamos de Antigo Testamento. O Novo Testamento também possui um grande número de manuscritos em idioma grego comum da época do Império Romano. A partir do chamado Texto Recebido que foi o texto grego oficial na Idade Média e  melhorado no Renascimento por Erasmo de Rotterdã, a partir do final do século XIX muitos arqueólogos começaram a apurar melhor o texto original com base em novos manuscritos descobertos. Nestle agrupou estas descobertas em seu Novum Testamentum Graece de 1898.

Desde então a edição de Nestle vem tendo atualizações por um comitê de especialistas que apuram as variantes significativas e verificam as provas históricas dos manuscritos que são citados na obra. Além de manuscritos do texto em si são consultadas lições bíblicas bem antigas, os pais da Igreja, e as traduções mais antigas latinas, egípcias, aramaicas, junto com análise de pontuação das traduções de Lutero até os dias de hoje, porque os manuscritos gregos não tinham pontuação nem separação entre as palavras, nem capítulos nem versículos.

Grande parte desse material encontra-se em programas robustos de computador, evitando abrir diversos volumes ao mesmo tempo e dinamizando o trabalho do tradutor ou exegeta, mas é bem certo que o pesquisador não deve ver nestas edições dos textos originais uma obra completa. É necessário um entendimento da transmissão do texto, usar bons léxicos aramaicos, hebraicos e gregos, buscar o discernimento do Espírito Santo e se despojar de ideias preconcebidas para apurar o sentido original e aplicar para o leitor do século XXI. Quero desafiar você a conhecer a Palavra de Deus e, por consequência, o Deus da Palavra intimamente. Não se contente com a melhor tradução, seja você mesmo um intérprete para a geração atual!

 

 

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